
James Joyce
Não lembro qual professor meu (ou li isso num blog?) disse: “não se criticam autores vivos, afinal, eles podem revidar, por isso, critiquem os mortos”. Há exceções. Alguns vivos nunca irão revidar, não é de sua natureza; e mais fortemente ainda: alguns mortos, por certo e datado do destino, serão revidados por seus fiéis.
Esse é o caso de Joyce. São Joyce. É um pecado pecaminoso falar contra Joyce o ícone transcendente do romance moderno. Joyce é para o Romance o que Brecht é para o Teatro, o que Pink Floyd é para o pop/rock. Não é a extensão de sua obra ou a aceitação de seu público que os define, mas sim o caráter de dobradiça: de conseguir se sobrepor e dar à porta a vazão das passagens (do devir – daquilo que virá).
Aqui venho falar de “O Retrato do Artista Quando Jovem“. Não tenho coragem de atentar contra Finnegans Wake nem contra Ulisses; em verdade, nem me arrisquei a lê-los ainda. Mas porque toda essa reviravolta em prólogo somente por esse livro dos menores? Talvez porque ali se inicie a aurora do autor. Joyce se demarca ali como Stephen Dedalus e a partir de Dedalus transcorrerá. Tem lá seu peso para o autor, para a época, para o caráter genético (de gênese) da dobradiça, mas se sustem ali – se você considerar isso pouco, claro.
É um livro pungente, impressionante nas reviravoltas de linguagem e enredo, mas incrustado numa tradição alheia, num mundo que, além da imagem arbitrária dos doutos literários, não existe aqui em terras brasileiras. Deixa desenrolar-se em um egocentrismo clássico da modernidade (que Joyce veio a definir), e que flui bastante até hoje na literatura ocidental, mas se aloca num centro/tempo casto, puritano, familiar, moral e religioso que nos deixa muitas vezes a pergunta: “meu deus essa cara pira errado numa coisa que não é pra tanto!”… Os diálogos nos confundem e trazem uma experiência estética – até então – nova (mas hoje bem desgastada). Enfim, o pilar dos marcos do que dará como contemporâneo. O peso de sua própria vida no peso de sua própria obra: Joyce.
Aí virão as bocas dos alfinetadores dizendo os benefícios de toda essa lenga-lenga. Pra mim, desmesurada, aqui, em terra de índio. Afinal o livro é denso pela história dos nomes e nem tanto assim, pela dureza de sua capa e conteúdo.
Pronto, falei!
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5 maio, 2010 at 02:14
QUERO QUE ME DEVOLVA O LIVRO!!!
5 maio, 2010 at 02:14
NÃO TÔ BRINCANDO.
5 maio, 2010 at 22:32
Bem sabes que não devolverei!
=D
kkk