Sobre o Belo

A beleza como uma concepção interna (inerente ao desejo) não é algo moderno. Os gregos já falavam disso, mas tenho a impressão que lá, a “liberdade” era diferente (nem maior nem menor!). Há instâncias, hoje em dia, de delimitação estética bastante evidentes como a publicidade, a televisão, a indústria cultural. Mas nada que subtraia nossa “intenção de desejo” que vem de dentro. Algo, ao que me parece, predominantemente subjetivo.

A partir de Freud podemos entender o desejo como uma instância inalcançável (nem instinto, nem pulsão), mas objeto que se subtrai ao chegarmos perto (desejo realizado = morte); configura-se como um acontecimento da linguagem, pois se dá na construção do “eu” com o mundo através da fala e da comunicação com o outro (as observações de Freud sobre a formação do complexo de Édipo podem ser um exemplo). Mais além, depois de Foucault se quisermos demarcar bem, a história das vontades humanas se alonga, ganha corpo e substância, podendo-se afirmar que o desejo é construção histórica, coletiva e individual ao mesmo tempo, pois é fruto de discursos difusos e recorrentes que nos cercam enquanto “formas de poder”: um dado constituinte que formará o sujeito mesmo antes dele ser “sujeito” (ou seja, mesmo antes da formação psicológica do infante).

Daí as formas de se perceber o belo: na construção individual (Freud) e coletiva (Foucault) da linguagem, do posicionamento enquanto ser no mundo. Ao mesmo tempo em que abraçamos um padrão sem saber os motivos, também abraçamos sua excentricidade em proporção: aquilo que foge ao controle, que nega o centro – seja em como perversão (Freud/Lacan); ou, para mim mais corretamente entendido, como formas de transgressão e resistência (Foucault, Deleuze, Badiou, etc).

O desejo e o belo então se traspassam e se encontram, melhor, se tangem por uma fina linha que os faz andar juntos em vários momentos. O que viremos a gostar ou não (como belo, bom, ético) depende tanto da coesão determinante do meio quanto de disposições aleatórias e internas:

curvas ou linhas corporias,

um carro novo,

um falo ereto,

uma roupa diferente,

um gosto sexual,

uma vertente de pensamento,

um presidente,

um desejo de dominação,

uma textura de pele.

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Sobre Willy Barp

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