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A Morte de Artêmio Cruz

A morte de Artêmio CruzTá aí um livro que me rendeu um pesadelo. Há mais ou menos um ano eu leio “A Morte de Artêmio Cruz” e finalmente chego a seu final. Não que o livro seja pesado, chato, maçante. Não, não! Longe disso. É um livro delicioso de se ler e como há tempos eu não lia! Mas as circustâncias de sua leitura é que me tomaram tempo. Cada vez que pensava no livro me resignava, traía minha vontade de querer entender os joguetes do autor, a história, as verdades de “Artêmio Cruz” (talvez não de Carlos Fuentes). Em resumo: uma vida de memórias em um leito de morte seco, amargo e cru.
Toda narrativa é dotada de uma consciência camaleônica. Não apenas artêmio morre. O livro morre com o personagem. É um daqueles romances obviamente sutis, como só me lembro de ter lido em Incidente em Antares de Érico Veríssmo. Empatam os dois autores (contemporâneos de seu tempo) nesse ponto: na sutileza óbvia que são a vida e a morte – Artêmio poderia até ser um dos cadáveres de Antares, delatando as podridões da sua carne, de seu tempo, política, e virtudes!
O modo como a narrativa ocorre é um deslumbre excepcional. A cronologia atemporal faz o leitor se perder deliciosamente num méxico magnético revolto em sua revolução, crencas e sábias impossibilidades (como qualquer canto do Brasil). E somente agora, somente quando escrevo esse mal-gosto, somente nesse fim que neguei tanto, compreendo Artêmio Cruz. Sinceramente? Não gosto dele. Não…
Enchergo nesse personagem a minha (e talvez a sua) forma desfigurada de vida. Mesmo munido de todas as peripécias e aventuras que se recheiam em suas jornadas ele é nada mais que um homem frouxo, um saco de merda ambulante, um ser que, como qualquer outro, confundiu-se na história e apenas fluiu. Numa sensibilidade primorosa, ao fim, devolveu à vida, e aos leitores de sua vida, a porcaria e o excremente que acumulou até o dia de sua morte. Sutileza contida no estômago. NECESSARIAMENTE, no estômago do personagem. O quarto mal ventilado, as quase-viúvas mesquinhas, os empregados, o padre constantemente amaldiçoado, um gravador (instrumento inegável da verdade) e a dor nos intestinos… Essa foi a morte de Artêmio Cruz.
Morte resignada que teima em vingar.
Leitura resiganda, minha, em encontrar esse ocaso.

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Ascenção e a Queda dos Sugadores de Sangue

Vampiro

Gosto sempre quando o bom e o popular andam juntos numa relação de amor e ódio: como o canino que ataca e o pescoço que cede. Apesar dos olhares e do gosto mais “refinado” da literatura de cátedra, há muita coisa boa naquilo que realmente faz sucesso no sangue da literatura do “povão” (quando damos uma boa mordida) – se é que o povão brasileiro lê alguma porra.

A absurda realidade da literatura brasileira e principalmente dos leitores nacionais que em sua grande maioria só mordem mesmo os pescocinhos estranjeiros me leva irremediavelmente a essa busca mais sangrenta naquele campo. Por isso vou falar de ANNE RICE e de STEPHENIE MEYER.
1) ANNE: A muler-vampiro da Lousiana, adorada pelos góticos e ovacionada pelos coveiros de cemitério norte-americanos.
2) STHEFENI: A criadora de Crepúsculo, Lua Nova e Eclipse.

Louis e Lestat (entrevista com o vampiro)

Louis e Lestat (entrevista com o vampiro)

A fantasia sempre expande a realidade e a alma dos vivente. É assim que satisfaz o ego curioso de nós, seres mundanos. Por isso, quando a fantasia nos morde, geralmente deixa transbordar um pouco do sangue que suga. Nos contorcemos e entrelaçamos com esse goz0. Então, a cada esquina começamos a nos deparar com o último por do sol, anjos de mármore que choram, seres de asas e pés descalços, demonios, anjos e vários, vários Vampiros. Continue lendo


A Casa dos Budas Ditosos

A casa dos budas ditosos

A casa dos budas ditosos

Toda pornografia é um joguete do cotidiano. Nem mais nem menos. E não há muitos limites a não ser que coloquemos algum. Por isso toda restrição é um exagero. Os prazeres do sexo e das causas, dos amores e das profanações coincidem com as vontades mais rasas. É assim que muitas situações ordinárias acabam por tornarem-se os melhores joguetes: a mordidinha e o beijinho, o xingamento e o tabefe, o incesto e o estupro. Somos todos contidos dia a dia por nossas vontades mais simplórias e animalescas (por isso mesmo mais abusadas) justamente querendo colocá-las em pratica nas regiões abaixo da linha do equador. Uma adoração e uma profanação ao mesmo tempo!

Essa obra que lhe presenteio pode não parecer tão incisiva quanto as diversas putas e os variados tarados de Dalton. Para mim, é uma obra mais subjetiva, como querendo e talvez conseguindo conversar com as várias mulheres de Clarice. Mas não deixa de lado a potencialidade de ser muito, mais muito menos pudica que elas ou que quaisquer umas das personagens de Jorge Amado, por exemplo. O enredo do livro encarna uma mulher-luxúria. Uma multiplicidade que se propõe ao perfeito pecado: puro desde sua infância e, em nenhum momento, efeito de seu sexo (que na obra é tão explícito)… Continue lendo


A História da Perversão Humana

Meya Culpa - José d'Almeida e Maria Flores

Meya Culpa - José d'Almeida e Maria Flores

Creio. Creio não. Tenho certeza que já existe uma história da perversão humana. Mas não, não, não… Não uma analogia psicológica dos excessos e das patologias. Nem uma genealogia. Muito menos um livretinho que comece nos sonhos eróticos e termine no catálogo e distribuição do ato (abre a perna assim, assopra aqui, põe o dedinho ali, cospe aqui). Falo sobre um livro que disseque e destrinche, que sature e dissolva as mais perversas das perversões. Continue lendo


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