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As Cidades Invisíveis

As cidades InvisíveisPeguei esse livro como uma indicação de uma indicação no blog RODAPÉ DO HORIZONTE (recomendo). Na verdade procurava o Cavaleiro Inexistente ou Cosmicômicas; ambos de Italo Calvino. Mas A surpresa foi grande quando, em mãos de As Cidades Invisíveis, me vi jogado num mundo distante onde a fantasia e a relaidade se mastigam.

Adoro o destino indelével e suas coincidências desvairadas. Logo esse livro de personagens fantáticos: Marco Polo e o imperador Kublai Khan. O livro é um relato das cidades que Marco passou. Ele atravessa domínios físicos e encontra cidades inexistentes: Pessoas fictícias, razões desvairadas, signos camaleônicos, personagens e pensamentos povoam cada linha dessa narrativa, provando ao imperador a vida pungente dentro de cada uma de suas crônicas absurdas. Do predio ao rio, do deserto aos baldes das lavadeiras: tudo, enquanto cidade, é um pulsar dentro do ser humano.
Certamente é uma chacota que esse livro tenha caído em meu colo. Ainda mais depois de, durante tantos anos, ter projetado minha existência em um lugar que até então eu considerava concreto… Bah!

Burrice minha. Salve Calvino. Obrigado Bruno! (hehehehe). Leitura nociva, no bom sentido, pra quem pretende viajar – mesmo que dentro de casa!
Só mais um ponto: não são nem nunca foram inexistentes as cidades de Calvino. Não são nem nunca serão reais as que vivemos.

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Ruan Rulfo

Pedro Páramo e Chão em Chamas

Ruan Rulfo (méxico 1917 – 1986) é aquele tipo de pessoa que você não conhece, provavelmente não não vai conhecer e pode perder uma grande oportunidade em sua “vida de leitor” se continuar não conhecendo…

Dois livros:
Chão em Chamas
e Pedro Páramo. (aqui unidos no mesmo livro)
MAIS NADA.

Chão em Chamas é um acervo de contos invejável. A gente lê pensando: Puta queo pariu! EU queria ter escrito essa porra!!!
Já Pedro Páramo é assim: Puta queo pariu: COMÉ QUE ESSE CARA ESCREVEU ESSA PORRA???
A linguagem é uma coisa à parte: vai e volta, elucida e confunde, torna e pula num jogo que nos mantém sempre presos até o último ponto. Rulfo é leitura básica de caras craques como Gabriel Garcia Marques, Carlos Fuentes e Juan Carlos Onetti (pelo menos é o que diz nessa edição da Record que eu mostro aqui). Não é à toa que, dizem… (dizem, mas sabe como é) …que Ruan Rulfo é o tipo de literatura indispensável pra quem nasceu na América e pretende escrever nessa mesma América.

O único porém é que depois desses dois livros Rulfo “secou”. Secou e ponto final. Não escreveu mais nada, não se deixou escrever (“até escrevi algumas coisas, mas pareciam todas ruins demais” segundo o próprio autor). Mas alguns gênios são assim: Não precisam escrever mais que algumas centenas de palavras, cantar algumas dezenas de músicas e pintar alguns quadros para serem o que serão pelo resto da eternidade.


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